Ramos da
Yoga: Astanga
Yoga de Patañjali e a Kriya Yoga
Tipos de Yoga
A Astanga
Yoga de Patañjali divide-se em 8 partes, yama, niyama, asana, pranayama,
pratyahara, dharana, dhyana e samadhi.
sadanga Yoga - seis subdivisões, as últimas seis da
astanga Yoga
caturanga Yoga – quatro subdivisões, as últimas quatro da astanga Yoga.
ekanga Yoga – somente uma, ouvir o som do Om continuamente, o som eterno de
Deus.
A Yoga traz
disciplina para as nossas vidas. É preciso que tenhamos um estilo de vida
yogue, para que possamos cultivar os valores da vida diária. A prática do
autocontrole exige alguns padrões éticos e morais.
Buscando o significado das subdivisões da astanga Yoga
- yama é autocontrole, niyama é disciplina, asana é postura, pranayama é a
técnica da respiração, pratyahara é a reclusão, dharana é concentração, dhyana
é meditação e samadhi é realização.
Yama é constituida de cinco aspectos. Satya, ahimsa,
asteya, brahmacharya, e aparigraha.
Satya significa falar a verdade. Falar o que você percebe e sente. Uma vez uma
criança indiana de seis anos me perguntou, "Todos falam a verdade?” Eu
respondi, "Falar a verdade é bom, e muitas pessoas falam a verdade." Seis
anos depois, a menina me escreveu, "Achei que você falava a verdade, mas
agora estou convencida de que diz mentiras. Ao deixar a India, você disse que
voltaria. Mas se você realmente gosta da Europa, fique lá, mas não minta."
É possível falar a verdade todo o tempo? Sim, é possível, mas é bem difícil.
Ahimsa é a não violência ou, mais apropriadamente, a não-injúria, não levar o sofrimento
aos outros. Um cirurgião, ao operar um paciente, não está fazendo himsa apesar
de estar salvando a pessoa. Precisamos determinar quando uma ação é himsa ou
ahimsa. Certa vez perguntaram a Mahatma Gandhi, "Você fala de satya e
ahimsa, mas há situações em que não pode falar a verdade sem causar
injúria." Gandhi olhou para ele e disse, "Dê-me um exemplo.” O homem
contou a história de um monge que se sentava próximo a uma encruzilhada e
meditava com os olhos abertos.Um cervo passou por ele. Um caçador passou logo
em seguida e perguntou ao monge onde estava o cervo. Caso o monge dissesse a
verdade o cervo seria morto e, caso contrário, estaria faltando com a verdade. Então
o que deveria o monge fazer? Gandhiji sorriu e disse, "Não é obrigatório
responder a todas as perguntas. Você tem a liberdade para responder ou não.
Numa situação crítica, você pode manter silêncio. Mas se for necessário falar,
pode ser diplomático como Satyavrata, que fez votos de dizer apenas a verdade.”
Na mitologia indiana, num texto chamado Deva Bhagavatha, escrito por Sage
Vedavyasa, encontramos a história de Satyavrata, que fez votos de dizer sempre
a verdade. Um dia um porco atingido pela flecha de um caçador passou por ele e
escondeu-se atrás dos arbustos próximos. Logo em seguida o caçador se
aproximou. Quando viu Satyavrata, perguntou a ele se tinha visto o animal que
acabou de passar. Satyavrata, que não podia mentir, mas que ao mesmo tempo
queria salvar a vida do pobre animal, respondeu dizendo,
ya paśyati na sa brūte, yo brūte na sa
paśyati
aho vyadha svakaryardhin, kim prcchasi punah punah
que significa "Oh caçador, este que pode ver não
pode falar e este que pode falar não pode ver. Por favor, deixe-me e siga o seu
caminho."
A verdade tem dois aspectos, o absoluto e o relativo. O aspecto absoluto é Deus
ou a Alma.
Asteya: Não roubar a propriedade nem a riqueza dos outros. O roubo pode
acontecer não só fisicamente, mas também através da mente, se a pessoa for
invejosa.
Aparigraha: Não aceitar muitos presentes dos outros. Viver uma vida simples,
com o mínimo necessário.
Brahmacarya: Celibato. Se o celibato fosse pré-requisito para a yoga, o que
aconteceria a todos os chefes de família? Celibato significa moderação e
controle sobre o ato sexual. Casais podem também ser celibatos ao seguirem
certas regras. Há outro significado para brahmacarya, brahma = Deus, cara =
mover. Mover-se em Deus ou viver em Deus é brahmacarya. Esses são os cinco
aspectos de yama.
Niyama é a segunda ramificação da Yoga, que constitui
os princípios éticos e morais necessários para um estilo de vida yogue. Patañjali
descreveu os cinco princípios de nuyama como: śauca (clareza), santosa
(satisfação), tapah (penitência), svadhyaya (estudo) e Iśwara pranidhana (render-se
a Deus).
Śauca pode ser de quatro tipos.
1. Sthana śauca – Pureza e limpeza do lugar usado
para a meditação. Tente usar um local limpo e agradável para meditar.
2. Dikśauca é a pureza de direções. Os yogues acreditam que se sentar
voltado para determinadas direções durante a meditação, como por exemplo para o
norte ou para o leste, favoreçam a meditação. Alguns dizem para sentar-se para
o leste durante o dia e para o norte durante a noite. Yoganandaji também
recomenda o norte e o leste. Mas quando você fecha os olhos direcionando-os
para o alto, mantendo a atenção no topo da cabeça, onde fica a questão da
direção? É claro podem haver regras, mas para uma verdadeira vida espiritual,
apenas mantenha-se no topo.
3. Deha śauca é pureza do corpo. Escove os dentes e tome banho todos os
dias. Na índia, em locais predominantemente quentes e úmidos, as pessoas tomam
até três banhos por dia. Isso se chama trisandhya snana, manhã, tarde e noite.
Isso não é necessário aqui.
4. Manah śauca é pureza da mente e dos pensamentos. Ter pensamentos
claros, puros e conscientes de Deus.
Santosa é a segunda ramificação
de niyama. Estar sempre satisfeito. Você pode perguntar, “Se estou sempre
satisfeito, como poderei obter mais?” Estar satisfeito não significa desistir
dos esforços. Dê o melhor de si para atingir seus objetivos, mas esteja sempre
satisfeito com os resultados que conseguir. Por exemplo, esteja satisfeito com
a comida que come, sem reclamar da pimenta ou do sal. No ashram, havia uma mãe
que vinha meditar e sempre trazia um pouco de sal e picles, para colocar na
comida do Ashram. Algumas ervas podem ser amargas e, no entanto boas para a
saúde. Somos tão apegados aos nossos sentidos. Precisamos praticar mais
autocontrole e estarmos contentes com aquilo que tivermos.
Tapah é penitência ou seguir algumas disciplinas
rígidas, como jejuar por um dia, observar silêncio, prestar atenção na
respiração. Tapa significa temperatura. A temperatura do nosso corpo é mantida
devido à alma que o habita.
Svadhyaya é o estudo das escrituras, como o Gita ou os Upanisads. Svadhyaya
também significa conhecer a si mesmo. Estudar ou analisar a si mesmo, ser
autoconsciente.
Iśwara pranidhana significa aproximar-se ou viver em Deus.
Yogasanas viraram moda no
ocidente. Yoga não é apenas postura. Qual tipo de asana é boa para meditação? Aquela
que seja sthira e sukha, firme e confortável, aquela que alguém pode sentar-se
confortavelmente durante um período de tempo. É bom estar firme e sentado sobre
um não-condutor, como um cobertor ou uma manta. Não tente manter-se em posturas
difíceis, como a posição de lótus. Qualquer posição confortável em que a
espinha possa ser mantida ereta é boa. A verdadeira asana está no topo da
cabeça, onde sua concentração deve estar.
Pranayama é o controle da
respiração. O controle da respiração é ensinado na hatha yoga. Não há
necessidade de se controlar a respiração à força. O significado simples de
pranayama é o controle do prana. Na Kriya Yoga, são ensinados três tipos de
Pranayama ou técnicas de respiração.
1. Respiração consciente.
2. Inalação e exalação lenta e
profunda.
3. Inalar, segurar e exalar e
segurar.
No pranayama da Kriya, não se
segura a respiração de forma desconfortável, mas mantém-se um controle sobre a
respiração.
Conheço os benefícios por
experiência própria. Na minha infância eu sofria com a asma, impossibilitado de
respirar com regularidade ou mesmo subir quatro degraus sem desconforto, até a
idade dos dezenove anos. Através da prática regular da Kriya, a doença
desapareceu.
Pratyahara é o processo de
tirar a atenção dos sentidos ou privar a mente dos sentidos. Praticando
meditação você é convidado a fechar os olhos e ouvidos e a encostar a ponta da
lingua no céu da boca. Isso ajuda a mudar o estado da mente ativa para a mente
concentrada.
Dharana é ficar por um longo
tempo concentrado em um único pensamento. Dharana pode ser externo ou interno.
Se a concentração é com os olhos abertos, é externa, e com os olhos fechados é
interno.
Dhyana significa meditação, o
processo de dissolução da mente.
Samadhi significa realização.
Estas são as oito subdivisões
da astanga Yoga. São usadas em tudo o que fazemos na vida. Em qualquer
trabalho, como cozinhar ou limpar, todos os oito são necessários.
Kriya Yoga é caturanga Yoga. É baseada principalmente
nas últimas quatro ramificações de pratyahara, dharana, dhyana e samadhi. Você
poderá perguntar, “Se quero ser um yogue, devo seguir todos esses passos um por
um?” Se você quer nadar, pule na água e aprenda a nadar, tentando praticar
todas as habilidades o melhor que você puder. Comece a meditar e todo o resto
lhe será dado. Aqueles que praticam, conhecem a beleza de meditar. Na medida em
que for praticando, terá mais autodisciplina; terá maior controle sobre a mente
e os sentidos. Estará satisfeito e feliz.
Um tat sat
Om
Podemos mudar muita coisa em
nossas vidas. Mas também há muitas coisas que não podemos mudar. Mude para
melhor tudo aquilo que for possível. O que não puder, aceite. Sintonizar com
Deus leva tempo. Podemos conseguir essa sintonia através da prática regular da
meditação.
O livre arbítrio pode ser usado até certo ponto, mas estamos sempre nas mãos de
Deus. Se me fosse dada à liberdade completa, não estaria aqui. Aceite o que
Deus lhe deu. Medite e faça a sua vida ser mais harmônica. Lentamente você
estará sintonizado com Deus e ouvirá sua música e seus conselhos muito
claramente.
Você já ouviu falar de notas
‘de graça’? Na India, quando um estudante está a apenas alguns pontos para ser
aprovado em um exame, ele pode receber as notas ‘de graça’. O esforço vem
primeiro, então a graça de Deus vem depois. Deus nos dará Sua graça caso
estejamos prontos. Sempre que damos alguns passos em Sua direção, Ele dará
muitos passos em nossa direção. Há duas maneiras de se receber a graça de Deus.
Sendo bom e recebendo a graça de Deus, ou sendo mal e recebendo a graça de Deus
como Kamsa, Ravana etc. Ser constantemente lembrado pelo amor, ou lembrado pelo
ódio. Não busque o ódio. Ame a Deus. Deixe o tempo ser gasto com a consciência
da respiração.
A vida espiritual é ao mesmo
tempo fácil e difícil. Na Alemanha uma mãe reclamou comigo, "Você é muito
simples, mas muito difícil. Como você disse que tudo está bom, não sei qual
comida servir para você. " Assim é a vida espiritual.
Caso você tenha um objetivo
específico, será um pouco mais fácil progredir no caminho. Você pode pensar
sobre porquê medita e para quê. Até agora nós já viajamos em muitas direções. Mas
para quê? Aqueles que conhecem seu objetivo desde cedo não hesitam. Se eu sei
que quero ir para Badrinath, posso parar em alguns lugares pelo caminho, como
Delhi ou Rishikesh, mas o objetivo final ainda é Badrinath.
Você tem muita sorte, pois já tem o desejo de estar no
caminho espiritual. Você está praticando Kriya Yoga e é capaz de colocar muitas
perguntas para seu professor e receber as respostas.
Até hoje eu ainda não perguntei ao meu guru muitas coisas. Meditei por mim
mesmo e continuei repetindo a técnica. Na medida em que meditamos, as coisas
tornam-se mais claras. As respostas que dou a vocês também vêm da meditação. Praticar
a técnica regularmente é essencial na vida espiritual. Para fazer qualquer
trabalho de forma apropriada, você precisa de técnica. Então você encontrará o
seu próprio caminho para atingir o objetivo. Paravastha é o objetivo, mas não
pode ser explicado. Todas essas técnicas levam a paravastha.
Para aqueles que meditam há algum tempo, belas experiências acontecem, mas pode
ser que nada aconteça durante um período de tempo. É como brincar de
esconde-esconde com o Divino. Devemos procurar mais e mais. Existe um monge
realizado de Orissa chamado Baya Baba (baba maluco). Se você perguntar a ele
qual prática espiritual ele praticou, ele responderá, “Meu guru pediu que eu
fizesse apenas uma coisa e tenho feito apenas isso. É como serrar uma árvore continuo
serrando sempre, sem olhar para a serragem que cai no chão. A realização que eu
atingi está sob os meus pés. Continuo fazendo sempre com amor o que o meu guru
ensinou.”
Mas como praticar com amor? O que isso significa? Há
dois meios se de fazer isso. Vejamos um exemplo. Suponha que você está em pé ao
lado de um rio, e um amigo chega por trás e empurra você para dentro do lago. Você
cai na água. Sai da água desconcertado e chateado. No dia seguinte você decide
nadar no lago. Então chega preparado com trajes de banho cai na água e então
sai dela feliz. Em ambos os casos, o seu corpo ficou molhado, mas no primeiro
dia você ficou chateado e no segundo dia ficou feliz. A diferença é a sua
atitude mental. Ao praticar Kriya, consciente de que se está praticando uma
bela técnica, que trouxe a libertação para tantas almas, a consciência interna
nos traz o amor e a devoção. Esse amor e essa devoção a Deus não podem ser
explicados. Você só conseguirá através da prática da meditação. Suponha que
você está em uma estrada. Há placas que indicam onde você deve entrar e onde
deve sair, o que faz a viagem ser mais fácil. Meditando, você obtém através de
uma orientação interna, se você está progredindo ou não. É como um auto-exame.
Observe sua própria mente e você saberá quem você é. Internamente, todos
sabemos quem somos ao examinarmos o estado da nossa mente.
Existe um ditado nas escrituras, yatne krte yadi na
siddhyati kutra dosah (Hitopadesa)
Significa: “Quando o esforço é sincero, mas o resultado não chega, examine onde
está o defeito.”
Você pode saber por si mesmo, ou caso não saiba, vá até o professor e pergunte.
O professor poderá ajudá-lo. As experiências espirituais virão, mas não fique
apegado a elas. Se você parar nesse estágio, não haverá progresso.